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Vorcaro diz que doação para campanha de Bolsonaro e Tarcísio foi propina negociada com Kassab

Por 8 · Farol da Bahia - Política · 03 de setembro de 2026, 22:00
Vorcaro diz que doação para campanha de Bolsonaro e Tarcísio foi propina negociada com Kassab
As doações foram operadas pelo cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, também investigado na operação Compliance Zero

O ex-banqueiro Daniel Vorcaro relatou na proposta de delação premiada que as doações de R$5 milhões para as campanhas eleitorais de Jair Bolsonaro e Tarcísio de Freitas em 2022 têm origem de um acordo de propina negociado com Gilberto Kassab, o ex-secretário de governo de São Paulo. 

As doações foram operadas pelo cunhado de Vorcaro, Fabiano Zettel, também investigado na operação Compliance Zero. Do total, a campanha de reeleição de Bolsonaro recebeu R$3 milhões e Tarcísio R$2 milhões. 

De acordo com Vorcaro, os pagamentos foram "contrapartidas financeiras"  pagas em razão de um "ajuste indevido com Gilberto Kassab" para que o Credcesta fosse mantido na eventual gestão de Tarcísio em São Paulo. As articulações teriam sido feitas por Augusto Lima, sócio de Vorcaro e responsável pela operação do cartão de crédito consignado dentro do banco.

“Com a eleição de 2022 em São Paulo e a ascensão de Tarcísio de Freitas como provável vencedor, Augusto Lima, responsável pelas articulações de expansão do Credcesta, buscou garantir a continuidade do negócio junto ao Governo do Estado de São Paulo”, diz o relato da delação.

Vorcaro relata que foi avisado por Augusto Lima do "ajuste indevido" com Gilberto Kassab que previa as contrapartidas financeiras. O acordo previa o pagamento de 5% do resultado líquido da operação em São Paulo, somada ao repasse de R$ 5 milhões em doações oficiais para as campanhas de partidos apoiados por Kassab.

Além dos R$5 milhões, cerca de R$10 milhões, em espécie, de doações informais foram feitas a intermediários  de Gilberto Kassab e entregues por Thiago Botelho, o "Papel", para campanhas do PSD . 

Na delação, Vorcaro ainda relatou que acionou Zettel para realizar as doações oficias por solicitação de Lima, para ocultar a sua proximidade com o PT. A movimentação garantiu a permanência do serviço no governo paulista até o final de 2024, quando um decreto de Tarcísio abriu o mercado de crédito consignado para concorrentes. 

Em nota, Tarcísio e Kassab negaram as alegações do ex-banqueiro de qualquer irregularidade, e Augusto Lima optou por não se manifestar.

Com informações de Farol da Bahia - Política.